ENTREVISTA

'A sensação que tenho é que estamos correndo em uma esteira', diz Bárbara Carine sobre racismo

Foto: Reprodução
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A professora da Universidade Federal da Bahia (Ufba) Bárbara Carine, conhecida nas redes sociais como “uma intelectual diferentona”, participou do programa Toda Hora, da Salvador FM, apresentado por Juliana Nobre e Silvana Freire, nesta sexta-feira (11). Na entrevista, a educadora evidenciou seu novo livro ‘Educando Crianças Antirracistas’, que está em pré-venda e começa a ser distribuído no dia 31 de outubro.

Na ocasião, a escritora contou sua principal motivação para escrever a obra. “Em dois dias eu recebi três contatos da imprensa para falar sobre casos diferentes de racismo de criança chamando outra de macaco na escola. Eram casos diferentes, em locais diferentes do país, eu me senti extremamente sufocada e a sensação que eu tenho é que estamos correndo em uma esteira, que não estamos saindo do lugar, então pensei que eu preciso escrever um livro para dialogar especificamente sobre cada coisa”, justificou.

“No livro tem explicando o que é macaco, que são animais divertidos, inteligentes, criativos e que não são pessoas, pessoas são pessoas, macacos são macacos, do mesmo jeito que girafa é girafa, cavalo é cavalo. Eu falo no livro que os adultos têm um probleminha que a gente não tem que trazer para o nosso mundo, também sobre a questão do cabelo, sobre a questão das listas dos mais bonitos da sala, toda a variante sobre a estética, as várias noções de beleza”, explicou a autora.

Bárbara Carine também é a idealizadora da Escola Maria Felipa, a primeira escola afro-brasileira do país. A instituição de ensino infantil com sede em Salvador é pioneira na educação antirracista e afro centrada registrada no Ministério da Educação (MEC). O objetivo do projeto é apresentar uma cultura negra e indígena em articulação com a perspectiva de educação que a escola adota.