A jornalista Wanda Chase, ícone da televisão baiana, morreu na madrugada desta quinta-feira (3), durante uma cirurgia para tratar um aneurisma dissecante da aorta, no Hospital Teresa de Lisieux, em Salvador. Mas afinal, o que é essa doença silenciosa?
Segundo a cardiologista Marianna Andrade, aneurisma é uma dilatação anormal das artérias — vasos responsáveis por levar o sangue do coração para todo o corpo.
“Quando esse aumento ultrapassa uma vez e meia o tamanho normal da artéria, já é considerado um aneurisma. Antes dessa etapa, até uma vez e meia, a gente chama de ectasia ou dilatação. Mas, quando ultrapassa uma vez e meia, a gente chama de aneurisma. Ele pode se localizar em qualquer segmento arterial do corpo”, explicou a médica em entrevista ao Portal PSNotícias.
O que é a aorta?
A aorta é o maior vaso arterial do corpo humano. Ela sai diretamente do coração e distribui sangue para todos os órgãos. Um aneurisma pode se formar em qualquer ponto da aorta — tanto na porção torácica (próxima ao tórax) quanto na abdominal.
“Os aneurismas de aorta torácica são, em geral, tratados com cirurgia aberta, especialmente quando ocorrem na parte ascendente. Já na aorta abdominal, o tratamento pode ser feito por via percutânea, com uma técnica menos invasiva”, detalha Marianna.
Aneurisma costuma ser silencioso
Mais de 90% dos pacientes com aneurisma de aorta não apresentam sintomas. Por isso, o diagnóstico costuma ser feito por meio de exames de imagem. A cardiologista alerta que alguns grupos devem estar mais atentos.
“A gente tem dois grandes grupos, um grupo muito bem estabelecido, que é um grupo de pacientes acima de 65 anos, tabagistas e com outros fatores de risco adicionais como colesterol alto e hipertensão. Esse um grupo de alto risco para fazer aneurisma de aorta abdominal. Para isso já existe recomendação formal de rastreio com a realização de pelo menos ultrassom Doppler que é aquele ultrassom que vai avaliar a característica da artéria da aorta no seu segmento abdominal”.
Jovens também podem desenvolver a doença
Embora mais comum em idosos, o aneurisma da aorta também pode atingir pessoas mais jovens com doenças congênitas ou genéticas. “A válvula aórtica bicúspide, por exemplo, é uma condição congênita que pode levar ao desenvolvimento da doença”, afirma Marianna.
Outros casos envolvem síndromes genéticas como a Síndrome de Marfan e a Síndrome de Ehlers-Danlos, que afetam o tecido conjuntivo. Nesses pacientes, o rastreio precoce é fundamental. “Essas pessoas que têm isso diagnosticado também precisam de um rastreio precoce, específico para identificar aneurisma de aorta torácica”, ressalta a especialista.
Como é feito o diagnóstico?
O exame mais eficaz para identificar e acompanhar aneurismas é a angiotomografia de aorta. O procedimento permite visualizar com precisão o local e o tamanho da dilatação. A partir do resultado, os médicos definem a melhor estratégia de tratamento.
“O tratamento depende da localização, da extensão, das características. Se no local onde está dilatado sai algum ramo importante Se é preciso fazer, por exemplo, o que a gente chama de prótese customizada que é aquela que já vem moldada. Manda-se fazer adaptada exatamente à anatomia do paciente ou se o caso realmente tem que ser cirúrgico, aberto. As abdominais hoje, a maioria tem sido feita através de tratamento percutâneo que é através da punção, mas alguns casos ainda precisam ser feitos com cirurgia aberta. Já as torácicas, elas acabam sendo por cirurgia aberta”.
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