O velório da jornalista Wanda Chase reuniu familiares, admiradores, amigos da imprensa e artistas no Cemitério Campo Santo, na Federação, em Salvador, na tarde desta sexta-feira (4). Um dos que marcaram presença na cerimônia foi o cantor e compositor Tonho Matéria.
Ao PS Notícias, o músico destacou a importância de Wanda para a cultura negra da Bahia. Tonho Matéria classifica a comunicadora como revolucionária.
“Falar de Wanda é falar de uma revolução. A mulher que revolucionou o jornalismo no Brasil, porque ela conseguiu inserir através de seus textos, de formas simbólicas, falar da cultura do povo preto através da arte, citando trechos de músicas, falando do papel do bloco afro, do afoxé, da capoeira e das comunidades. Wanda foi uma revolução e uma mulher à frente do seu tempo”, definiu.
Ícone da televisão baiana, Wanda Chase morreu na madrugada de quinta-feira (3), no Hospital Teresa de Lisieux, durante uma cirurgia para tratar um aneurisma dissecante da aorta.
Órfãos de Wanda Chase
Na visão de Tonho Matéria, Wanda Chase teve ainda o papel de levar o que era produzido no estado para o mundo, compreendendo a essência local. A jornalista teria sido responsável por conectar os elementos culturais da Bahia a outros países, como Estados Unidos e França.
“Nos levou para outros lugares. Ela entendeu que a música que emanava no bloco afro, no afoxé, na capoeira, nos terreiros de candomblé – mesmo ela não sendo desta religião. Ela entendia que era possível reconstruir o Brasil. E ela divulgou isso com galhardia”, frisou Tonho.
Por fim, o compositor demonstrou gratidão pela sensibilidade da jornalista: “Mesmo sem a gente pedir, ela falava da gente ou ela ligava para saber aonde a gente ia tocar. Quais as nossas estratégias para fazer o carnaval ou o verão, ela sempre estava preocupada. Espero que ela tenha uma substituta ou substituo que fique à altura dela, senão a gente vai ficar órfão”.
>>> Siga o canal do PSNotícias no WhatsApp e, então, receba as principais notícias da Bahia, do Brasil e do Mundo.